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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Mudanças(3)

Casa 10:

Essa casa, até então, foi a melhor em que moramos, a mais espaçosa. Meus pais estavam radiantes de alegria, eu não estava contente nem um pouquinho. Era num bairro distante, chamado Nossa Senhora da Glória.

Mas, por incrível que pareça, acabei gostando da casa, que tinha uma aconchegante varanda, na qual, eu, vez ou outra, ouvia músicas. Pode-se dizer que foi à partir daí, que comecei a amar o silêncio, que me tornei um solitário convicto, que me isolei. O local era muito sossegado. De quebra, havia uma vizinha, um pouco mais jovem do que eu, que morava do lado da minha casa... Ela era bem atraente, morena clara... Tivemos pouco contato, mas eu, claro, tinha interesse nela, mesmo não chegando a me apaixonar.

E, no meio do ano de 1975, os "ciganos" optam por mais uma vez mudarem, alegando que a casa era pequena para a gente.  Vale lembrar que o poder aquisitivo do meu pai subiu muito...
Detestei ter que me mudar, ainda mais que, até aquele momento, a casa em questão, foi a que mais gostei de morar.

Casa 11:

A casa era no mesmo bairro. Bem maior que a anterior. O quarto, que havia no quintal, daria para uma pessoa, ou até mesmo um casal morar. Havia ainda um porão, que meus pais alugaram.
Meu irmão, há poucos anos atrás, revelou que foi o lugar em que ele mais gostou de morar.
Minha mãe gostava de lá, afirmando que foi "nossa melhor casa", no entanto, ao descobrir uma infidelidade do meu pai, que tinha uma amante no mesmo bairro, optou por se mudar.

O ano de 1976, foi movimentado pra mim, em termos de mulheres; depois de ser rejeitado por uma vizinha, que morava do lado de nossa casa, namorei duas meninas(não as duas ao mesmo tempo-rs), sendo que a segunda, eu gostei muito, mas levei um chute, por causa do meu ciume.rs

Diferentemente, do meu irmão e da minha mãe, eu não gostei desta casa, deste local, muito movimentado demais, pro meu gosto, não desceu...

Casa 12:

Entre os anos 1976 a 1979, morei duas vezes, no mesmo local, com a minha avó materna, num apartamento, no bairro Calafate.

Casa 13:

Era num prédio, no bairro Nova Suíça. Mas, devido a um problema de coluna, acometido pelo meu pai, tivemos que mudar-nos, pois meu pai não podia subir escadas.

Casa 14:

Fomos morar no bairro Nova Esperança, numa casa bem grande , espaçosa. Contudo, a rua, numa subida, não era calçada, esse , e o fato de da casa, a visão de um cemitério atormentar muito a minha mãe, fez com que , mais uma vez, mudássemos.

Casa 15:

Pasmem, voltamos a morar na mesma rua, num prédio diferente, no bairro Nova Suiça, e lá havia escadas. Meu pai deve ter melhorado da coluna.rs

Casa 16:

Em 1984, ou 1985, mudamos para uma casa, igualmente muito confortável, num bairro de classe média, mas distante do centro, Alípio de Melo. Eu já estava, cada vez mais, com o saco cheio de tanto me mudar!
Minha mãe gostava muito do bairro, eu não gostava muito... Meu irmão fez muitas amizades ao redor, eu não fiz nenhuma. Moramos por uns 7 anos no local. Aliás, não morei por todos esses anos, pois em 31.10.1987, juntei os panos com a minha mulher.

Casa 17:

Eu e minha esposa moramos num barracão, bem precário, no bairro Serrano, bairro bem próximo ao Alípio de Melo. Ficamos lá por menos de um ano, já que entrou ladrão no barraco, e minha ex-mulher insistia em que mudássemos.

Casa 18:

Minha encrenca(rs)  e eu fomos morar, ainda de aluguel, num porão, que era de propriedade de um colega de serviço dela, no bairro Cachoeirinha(bem perto do centro). Ela teve um pequeno desentendimento com o colega, devido a um reajuste, e com ânsias de conseguir uma casa própria(ânsia dela), financiamos uma pela Caixa Econômica Federal.

Casa 19:

Era um apartamento, no bairro mais distante que já morei, no Cardoso/Barreiro de Cima. Não gostei de lá.
Depois que separamos, voltei pra casa da mamãe(rs), no Alípio de Melo.
Voltamos a viver juntos, no mesmo local, mas desta vez, apenas por dois meses. Vai eu, novamente, para o Alípio de Melo.


Meus pais, depois de 37 anos de um conturbado casamento, se separam, perto do final de 1992. Eu volto a morar com a minha avó materna, em 05.12.1992.  Devido a morte da minha avó, tive que morar com minha mãe e seu companheiro...  Me mudei muito a contra-gosto, pois eu adorava morar no tal apartamento, mas não tive outra alternativa.  Este foi um dos lugares que mais gostei de morar. Não gosto de apartamentos, mas o do Carlos Prates, o do Padre Eustáquio e este, no Calafate, eram muito tranquilos, nem pareciam apartamentos.rs

Casa 20:

... E a mudança ocorreu no dia 26.02.2000.  Mais um bairro distante do centro, Novo Progresso, região de Contagem, mais uma casa bem confortável.

Casa 21:

Em 10.10.2001, mudamos para o Santa Terezinha, região da Pampulha... longe...
Minha mãe falece em 29.08.2008.  Em 01.02.2009, saio da casa, ficando 17 dias morando provisoriamente com meu irmão...

Casa 22:

... E no dia 17.02.2009, vou morar, de aluguel, num barracão, no bairro Sarandi, perto do Santa Terezinha.
Acabo me mudando em 24.12.2009, devido a poluição sonora, patrocinada por uns vizinhos, que moravam parede e meia comigo.

Casa 23:

Aqui estou, já há 2 anos e cinco meses, morando num bairro, que faz parte de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte.
Estou feliz aqui. Nem chego a considerar este lar como um barracão, e sim uma casinha bem gostosa, aconchegante, com uma bela varanda, o nascer do sol, o poente, as noites estreladas... Um lugar sossegado, uma boa vizinhança. Espero que eu morra aqui.rs

Conclusão:

Viram, meus pais não eram loucos, nem inconstantes e nem complicados, e muito menos eu sou assim.rs


Mudanças(2)

Casa 8

No meio do ano de 1969, fomos morar numa casa alugada, por coincidência na mesma rua em que morávamos em 1962, no bairro Padre Eustáquio, dois quarteirões depois do barracão anterior.
Desta vez, ficamos menos de 6 meses na residência...

Casa 9

Continuamos no bairro Padre Eustáquio, morando a dois quarteirões da casa 8. Meu pai comprou o apartamento da minha avó materna. No segundo semestre de 1969, voltei a estudar no colégio Padre Eustáquio. Depois do tormento no Liceu Salesiano, eu fiquei na calmaria no colégio Padre Eustáquio. Não cheguei bem há ter um amigo nesta escola, mas me dava bem com o pessoal, tirante um, que tivemos um pequeno desentendimento, que resultou num tapa na cara e num chute(rs-não me lembro mais quem foi quem , nestas trocas de gentilezas). De novidade, foi que descobri um cara que foi da minha sala, quando eu cursava o segundo ano primário, no Padre Eustáquio. E vê se pode, o H. não se lembrava de mim. Bastaram-se 4 anos(1965 a 1969), para ele não se lembrar de mim. O H. era gay.

Outra novidade: um dia, um colega de sala, um grandão, chegou perto de mim e disse: "A M.M. está apaixonada por vc".  Ela era ruiva, magra, de olhos verdes. Muito bonita. De principio, não acreditei mesmo no grandão. Mas, observando com mais atenção, notei que ela parecia estar mesmo a fim de mim. Não me apaixonei, mas me interessei por ela. O grande problema era minha timidez, minha falta de jeito, eu não sabia como chegar nela, ainda não tínhamos conversado. Pedi ajuda(rs) aos meus colegas, e acabei indo na onda de um deles(foi o mesmo que eu briguei)... Bem, fui muito ingênuo, para não dizer idiota. Na hora do recreio a chamei, ela veio toda sorridente; sorriso que se foi rapidamente depois do que eu disse pra ela. Não a faltei com respeito, mas fui muito infeliz no que eu disse.  Nunca mais conversamos. Os colegas me zoaram, mas eles não eram como os colegas do Liceu Salesiano, não gostavam de derrubar a gente, não pegavam no nosso pé.
Não querendo estudar, parei com os estudos, ainda neste semestre.

No ano seguinte(1970), volto para o colégio Padre Eustáquio, e adivinham quem voltou a ser da minha sala? Isso, ela mesmo , a M.M., que havia tomado bomba.rs
Uma vez, surpreendentemente, ela me pediu, dentro da sala de aula, um livro emprestado. Meus colegas, que sabia do nosso envolvimento, me zoaram, dizendo que eu fiquei vermelhinho(rs).  Mais surpresa: ela não me devolveu o livro, nem me agradeceu, mandou uma colega fazer isso por ela. Ela nunca me perdoou.

E o inquieto aqui, ainda no primeiro semestre, desiste, de novo, de estudar. Bom lembrar, que foi neste ano que eu comecei a matar aulas.

Quanto ao apartamento, era localizado num prédio de três andares, com quatro apartamentos em cada andar. Morávamos no terceiro andar. Eu gostava de lá. Fiz amizades com colegas vizinhos, da minha faixa etária, fiz também um tanto de inimizades...  Moramos lá, do segundo semestre de 1969 , até 30.12.1973, quando meus pais, novamente, resolveram se mudar. Fiquei muito revoltado com isso, muito, pois eu gostava do apartamento, do bairro, tinha esperanças de reatar a amizade com um amigo, que morava também no prédio; tinha esperanças de namorar uma menina, que morava num bairro próximo, o Carlos Prates, e eu não queria morar num bairro longe do centro...

Ah, no ano de 1971, voltei a estudar, num outro colégio, próximo ao colégio Padre Eustáquio, Vital Brasil. Foram anos, relativamente, tranquilos, com exceção do primeiro semestre de 1973, quando eu cursava o quarto ano ginasial, me desentendi com muitos colegas. Meus pais descobriram que eu matava aulas, foi um Deus nos acuda. Pra me castigar, meu pai me pôs a trabalhar no Mercado Central, durante as férias do meio do ano. Optei por continuar trabalhando, parando de estudar...

Falando em estudos, paradoxalmente, depois que parei de estudar, no mesmo ano, namorei por alguns poucos meses , com uma colega que foi da minha sala; ela era loura, olhos azuis, bonita, mas eu a achava muito nova; tinha 14 anos , enquanto eu estava com 17(eu preferia meninas que regulavam com a minha idade). Não cheguei a me apaixonar por ela, e olha que ela tinha até o gênio bom.rs

continua...

domingo, 10 de junho de 2012

Mudanças

Me lembro das coisas , desde meus seis anos de idade, em 1962, ano que eu  me entendi por gente.

Meus pais eram iguais ciganos, mudavam muito de residência.  Vou relatar os lugares em que eu morei.

Casa 1:

Morávamos num barracão(nada a ver com favela, barracão, aqui em Belo Horizonte, é uma modesta casa, pouco confortável, de poucos cômodos, ou seja, bem precária), num bairro tradicional de BH,perto do centro da cidade, o Padre Eustáquio. Era um barracão alugado. Foi nele , que meu único irmão nasceu.

Casa 2:

No ano seguinte(1963), meu pai conseguiu comprar uma casa, num plano financiado pelo governo, num local longe do centro, bairro Ipanema. Frequentei o Jardim; só me lembro que eu e mais poucos alunos ficávamos sentados, numa mesa bem grande. Eu gostava era da merenda , preparada pela minha mãe.rs
No ano seguinte, comecei a cursar o primeiro ano primário, num colégio dois quarteirões distantes da minha casa. Pintou umas trincas na casa, meus pais decidiram vender o imóvel, no meio do ano de 1964.

Casa 3:

Fomos morar num apartamento, num pequeno prédio, de um bairro bem perto do centro, Carlos Prates. Em consequência, mudei de colégio, que era localizado uns 4,5 quarteirões distantes da minha casa.
Eu gostava demais do lugar e também do colégio. O apartamento era alugado. Fiquei sabendo, há poucos anos atrás, que foi um conhecido do meu pai que cedeu o apartamento temporariamente para a gente. E ficamos morando lá por no máximo 6 meses. Fiquei muito chateado por ter mudado de casa e de colégio.

Casa 4

Em 1965, voltamos a morar no bairro Padre Eustáquio; desta vez, num barracão, como inquilinos do irmão mais velho do meu pai, que era seu patrão. Passei a estudar no colégio Padre Eustáquio.
Também vivemos, aproximadamente, uns 6 meses neste local.

Casa 5:

No segundo semestre de 1965, fomos morar num barracão alugado, em outro bairro tradicional e perto do centro, Calafate. E comecei a estudar no colégio Curso Chopin.

Casa 6:

Não sei precisar o ano em que mudamos para essa casa, que era localizado no mesmo bairro da anterior, dois quarteirões distantes da outra residência. Era outro barracão. Nos tornamos inquilinos da minha avó materna.
No meio do ano de 1968, mudamos...

Casa 7:

A casa número 7  ficava num bairro bem distante do centro de BH, bem distante mesmo! Meu pai comprou a casa, outra vez, por financiamento do governo. Era um bairro recém inaugurado, Jardim Riacho das Pedras. Fomos uns dos primeiros moradores. A casa ficava de frente a Rodovia Fernão Dias. Fui estudar num colégio de padres, no qual não havia alunas, só meninos. No primeiro dia de aula, já tive uma péssima impressão do colégio, tanto que fiz minha primeira rima, "Se vc quer entrar pelo cano, estude no Liceu Salesiano(era o nome do colégio). Não gostei do ambiente do colégio, e olha que a maioria dos alunos era de gente com pais abastados.  Entrei pro colégio no segundo semestre, e neste período, apesar de não gostar do mesmo, não tive problemas mais sérios. Infelizmente, no ano seguinte, me dei muito mal no Liceu Salesiano. Sempre gostei de me sentar nas carteiras de trás... Fui ser "amigo" de três caras, que se sentavam ao meu redor. Eram mais velhos do que eu(a gente tinha a mania de chamar de "caras grandes"). Eles me colocaram apelidos, viviam a me encher o saco e a me provocar, acabaram jogando a sala quase toda contra mim. Foi uma espécie de bullying, porém apenas verbal. Eu reagia verbalmente, mas não adiantava. Pra piorar fui o número 24 da sala. No entanto, eu não ligava com as piadas a respeito disso, apesar de achar bem incômodo tal número.rs

Fomos bem infelizes neste bairro. No colégio Curso Chopin, eu tinha amigos, gostava da escola. No Liceu Salesiano, não tinha mais amigos, e nem no bairro. Haviam muitas casas desocupadas , no bairro, eu caí na besteira de sujar , não me lembro mais se foi uma ou mais delas, com barro. Isso foi descoberto, e foi um verdadeiro escândalo . Na noite que descobriram, eu junto, do meu pai, seguimos até o local no qual eu tinha feito meu ato de vandalismo. A rua estava cheia, e cheia de gente indignada com meu ato; uma mulher chegou a dizer: "esse menino tinha que ficar no quadrado(prisão)". Foi muito desagradável. No natal, eles deram uma festa na rua, só minha família é que não foi convidada. Meu pai testemunhou minha tristeza, ao me ver olhando , da nossa casa, a festa, e disse, com aquele jeitão duro dele: "Não liga não, não liga para esse pessoal!".

Na rodovia Fernão Dias presenciamos alguns acidentes, em frente nossa casa, num deles, à noite, minha mãe, sozinha na varanda, viu uma mulher sendo atropelada(ela morreu). Minha mãe gritou. E a mama, ainda neste bairro, foi vítima de um acidente, junto com meu pai, no seu carro. Foi uma simples colisão com outro carro, nada grave. Minha mãe bateu com a cabeça no para-brisa, mas não se machucou. Porém, ficou com trauma, com muito medo. Ficou anos sem viajar; o trauma foi enorme. Com o passar do tempo, ela conseguiu diminuir bastante a sua fobia.  E , no meio do ano de 1969, mudamos outra vez.  Desta vez, gostei muito da mudança, saímos do inferno!

Continua...




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