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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Pragas - A Justiça Divina(continuação)



Outra bobagem: pragas amorosas. Há pouco tempo, um sujeito, rejeitado por uma mulher e achando que ela brincou com seu sentimento, jogou-lhe a praga da solidão. Ora, acho mais provável que ele termine seus dias sozinho do que ela. E neste momento, ela pode estar se divertindo, enquanto ele está na rua da amargura.

Me perdoem as pessoas que frequentam meu humilde blog e acreditam em Deus, mas caso ele existir, o mesmo não se preocupa com o estilo de vida , que cada um de nós leva. O que vale é viver, sobreviver, até morrer, não importando os meios usados para a sobrevivência.

Porém, penso ser exagero a frase: "o mundo é dos ruins". Mais realista , seria dizer: "o mundo é dos espertos". Tendo competência e prudência, a pessoa chega lá, não importa o caráter dela.
Não acredito na proclamada justiça divina. Não acredito no "aqui se faz, aqui se paga". Não creio também que pagaremos pelos nossos pecados , além-túmulo. Não acredito que uma pessoa mude para melhor.
Que me perdoem os evangélicos, mas não acredito em mudanças em pessoas, como no caso do Guilherme de Pádua. O mal que pessoas deste naipe fazem , é indelével. Mas, Guilherme segue vivendo, sobrevivendo; possivelmente até morrer com a consciência tranquila, pois não foi ele que matou a Daniela Perez, foi o diabo. Hoje, ele tem Deus em seu coração. É a justiça divina.

Minha ex-mulher, é de uma família de 12 irmãos, seis homens e seis mulheres. Em 1989, um de seus irmãos faleceu aos 40 anos.  Era diabético. Foi vítima de um ataque cardíaco. No dia de sua morte, sentiu dores no peito, chegou até a se auto-massagear, mas... Era irresponsável, agressivo, genioso, do tipo de pessoa que gostava de comprar, mas não curtir pagar. Era fanfarrão e brincalhão. Apesar da diabetes, viveu bem, gozou a vida. É a justiça divina.

A filha número 11, dos pais da minha ex-mulher, foi acometida de câncer, em 2008. Era a mais legal dos 12 irmãos.  Doce, alegre, calma, ela parecia gostar muito de mim, gostava dos meus gracejos, dizia que eu era muito espirituoso.  Numa das últimas vezes que a vi, ela se despediu de mim com um forte abraço. Não havia maldade no abraço, e sim amizade. Seu câncer foi no pâncreas, e a consumiu por uns 8 meses. No final, ela estava vomitando sangue.  Tinha 49 anos, 50 anos incompletos. Era professora; muito estimada pelos alunos. Não entendo porque ela não se casou. Era até bonita, mas não era vaidosa, não se produzia. É a justiça divina.


Pragas - A Justiça Divina



"Praga de urubu magro, não pega em cavalo gordo"

Certas pessoas têm mania de jogar praga nos outros.  Eu acho isso uma bobagem, um ato ínútil; pensando melhor, ridículo. Eu próprio, impulsivo e rancoroso, já joguei praga nos outros. Mas, penso que mesmo o urubu sendo gordo e o cavalo sendo magro, pragas não pegam.

Minha avó materna era especialista em jogar praga nos outros. Jogou praga em mim, no meu pai, nos seus filhos.
Super egoísta, adúltera, rancorosa e venenosa, assim era minha querida avó.
Teve 5 filhos. Os dois primeiros foram frutos do seu casamento.  Na verdade, eles não eram filhos do seu marido; eram filhos de pais diferentes.  Seu marido, um funcionário público, pegou minha avó no flagra com outro homem, seu chefe, um famoso e influente político. Eles moravam numa famosa cidade mineira.
Ele a levou para a casa dos seus pais, numa provinciana cidade das Minas Gerais.

Foi um escândulo , afinal era década de 30. Minha avó ficou como uma prisioneira dentro de casa. Só saia acompanhada para ir à Igreja. Fez amizade com o padre, o conquistou(há fortes suspeitas que ela teve um caso com o pároco) . E o santo padre ajudou minha avó a fugir de casa. Ela foi morar numa famosa e nada provinciana cidade mineira. Lá conheceu meu avô.
Meu avô , ao ir pro trabalho, ficava uns minutos em frente da sua residência, vigiando , pra ver se minha avó saia de casa... Tudo normal. Mas, uma pessoa revelou a ele que minha avó saia de casa pulando o muro de uma vizinha. Saia, claro, pra passear e namorar.  Não sei se meu avô foi violento com ela. Sei que ela com medo e querendo se livrar dele, pediu ajuda de um delegado(suspeita-se que os dois tiveram um caso), que prendeu o meu avô por um dia. O vovô, homem de bem, ficou indignado!  Ela veio para Belo Horizonte.
Meu avô dizia que ela ainda havia de ser assassinada.
Que bobagem!  Ela morreu aos 85 anos, dormindo, de parada cardíaca. Estava lúcida, gozava de boa saúde.
Não se conformava com a velhice: "olho no espelho e nem acredito que sou eu", "a velhice foi o maior castigo que Deus nos deu", "eu tive uma vida tão boa, e agora estou assim". E aos 78 anos, ela foi acometida de câncer de útero.  O médico falou com a minha mãe que ela só tinha 6 meses de vida.
Ela não precisou fazer quimioterapia. Seus cabelos não caíram, ela ficou curada.

Já minha pobre mãe, que hoje faria 71 anos, padeceu 37 dias num hospital; quase um mês no CTI. Morreu sozinha, rôxa, inchada. A mama era uma ótima pessoa, excelente filha, uma eterna vítima da ingratidão e grosseria da minha avó.

Dos cinco filhos, o único que não tinha contato com ela, era o filho número dois. Seu pai, o ex-marido de minha avó, criou-o, junto com o filho número um,  falando que ela estava morta. Por volta de 1966, eles descobriram que ela estava viva , e vieram até onde morávamos para conhecê-la. O filho número um, egóista, folgado, boêmio, beberrão, adúltero, virou presença constante em nossa casa. Já o segundo filho, sumiu do mapa. Um dia, minha mãe, amorosa e conciliadora(ela adorava família), telefona pra ele. Minha avó queixava muita sua ausência. Minha mãe disse isso ao mesmo, que respondeu que sua consciência doía ... Ele procurou a minha avó, mas os contatos ficaram restritos ao telefone. No seu aniversário, ele perguntou que presente ela queria ganhar, ela disse que queria  um som. Ele se afastou. Nunca mais teve contato com ela.
Ela ficou com raiva e vivia jogando praga nele.
Seu irmão mais velho, que morava na mesma cidade dele, dizia: "quanto mais a mãe joga praga no Zé, mais rico ele fica". rs. Ele era um sujeito honrado. Era bancário.

continua...

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