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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Maiakoviski


Quando eu lia sobre a Revolução Russa, sempre via menções a Maiakoviski, um poeta engajado na mesma. Não se pode confiar muito no que se lê, ainda mais quando se trata do comunismo, mas sempre li que o grande poeta, era um entusiasta com a revolução, mas que, no final, depois de ver tanta burocracia e sangue, se desencantou.

Há poucos minutos, li algumas de suas biografias, diferentes umas das outras. Numa delas, até diz que seu suicídio foi forjado pelo estado soviético. Noutras, dizem que de tanto os críticos o detonarem e por ter tido uma decepção amorosa, o mesmo se matou. Ele morreu aos 36 anos.

Ao ler algumas de suas frases, mais ainda admirei esse homem/poeta. O texto que ele criou a respeito dos críticos, me deixou extasiado e, claro, com inveja, pois eu detesto essa raça.

Outra coisa interessante: sempre li que Maiakoviski dizia:" nunca vou me matar", e acabou se matando... Pensei que o poema foi feito  por motivo existencial, político, mas , pelo que acabei de ler, quando o mesmo disse que nunca se mataria, foi um poema endereçado a uma mulher.

Fiquem com o grande Maiakoviski:

Amar não é aceitar tudo. Aliás: onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor.


Não é difícil morrer nesta vida: / Viver é muito mais difícil.

A arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para forjá-lo.

Se a criança é um porquinho, quando adulto não poderá ser outra coisa senão um porco.

Hino ao crítico

Da paixão de um cocheiro e de uma lavadeira
Tagarela, nasceu um rebento raquítico.
Filho não é bagulho, não se atira na lixeira.
A mãe chorou e o batizou: crítico.

O pai, recordando sua progenitura,
Vivia a contestar os maternais direitos.
Com tais boas maneiras e tal compostura
Defendia o menino do pendor à sarjeta.

Assim como o vigia cantava a cozinheira,
A mãe cantava, a lavar calça e calção.
Dela o garoto herdou o cheiro de sujeira
E a arte de penetrar fácil e sem sabão.

Quando cresceu, do tamanho de um bastão,
Sardas na cara como um prato de cogumelos,
Lançaram-no, com um leve golpe de joelho,
À rua, para tornar-se um cidadão.

Será preciso muito para ele sair da fralda?
Um pedaço de pano, calças e um embornal.
Com o nariz grácil como um vintém por lauda
Ele cheirou o céu afável do jornal.

E em certa propriedade um certo magnata
Ouviu uma batida suavíssima na aldrava,
E logo o crítico, da teta das palavras
Ordenhou as calças, o pão e uma gravata.

Já vestido e calçado, é fácil fazer pouco
Dos jogos rebuscados dos jovens que pesquisam,
E pensar: quanto a estes, ao menos, é preciso
Mordiscar-lhes de leve os tornozelos loucos.

Mas se se infiltra na rede jornalística
Algo sobre a grandeza de Puchkin ou Dante,
Parece que apodrece ante a nossa vista
Um enorme lacaio, balofo e bajulante.

Quando, por fim, no jubileu do centenário,
Acordares em meio ao fumo funerário,
Verás brilhar na cigarreira-souvenir o
Seu nome em caixa alta, mais alvo do que um lírio.

Escritores, há muitos. Juntem um milhar.
E ergamos em Nice um asilo para os críticos.
Vocês pensam que é mole viver a enxaguar
A nossa roupa branca nos artigos?



COMUMENTE É ASSIM

Cada um ao nascer
traz sua dose de amor,
mas os empregos,
o dinheiro,
tudo isso,
nos resseca o solo do coração.
Sobre o coração levamos o corpo,
sobre o corpo a camisa,
mas isto é pouco.
Alguém
imbecilmente
inventou os punhos
e sobre os peitos
fez correr o amido de engomar. Quando velhos se arrependem.
A mulher se pinta.
O homem faz ginástica
pelo sistema Muller.
Mas é tarde.
A pele enche-se de rugas.
O amor floresce,
floresce,
e depois desfolha.

...nenhum som me importa
afora o som do teu nome que eu adoro.
E não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.
Afora
o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai com seu brilho

Você não pode deixar ninguém invadir o seu jardim para não correr o risco de ter a casa arrombada.





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