sábado, 20 de outubro de 2012

Brincadeira do Destino?(A Saga com a Minha Ex)7

Onze meses depois, uma irmã da Va, que é freira, liga para mim, comunicando o falecimento de seu pai, que já havia sido enterrado dias antes. Ela foi a única da família que lembrou de se comunicar comigo a respeito.

Dos 12 filhos que os pais da Va, tiveram, as três ovelhas negras foram o falecido Ro, a Va e a freira(rs). Segundo sua família, ela tem o gênio terrível, pior até que o da Va. Mas, nunca me desentendi com ela, que sempre me tratou muito bem. Valendo ressaltar, que ela sempre respeitou meu ateísmo, ao contrário da Va, que não aceitava, chegando até a dizer que era mentira de minha parte, quando eu dizia não acreditar em Deus. Brigávamos por causa disso também, ela costuma a falar: NÃO BRINQUE COM DEUS!.

Claro que a Va e sua irmã freira não se entendiam. Ela costumava mandar mensagens para minha ex, que sempre entendia que eram indiretas, a criticando(ô paranoia!). Uma vez, chegou ao ponto de mandar uma carta para ela, rompendo com a mesma. Em outra ocasião, com muita raiva da freira, se abraçou a mim, chorando, falando que se fosse o caso, a mataria.  Fiquei surpreso, um pouco assustado, ao mesmo tempo me deu até vontade de rir...chegar a este ponto, de querer matar sua própria irmã... E a irmã freira já a ajudou algumas vezes. A Va era uma ingrata.

Me senti na obrigação de fazer uma visita para minha ex-sogra. Eu a estimava muito, e ela parecia gostar muito de mim. Torci para não encontrar a Va lá, mas, inesperadamente, ela apareceu.
Insistiram para eu dormir lá. Eu aceitei. No dia seguinte, eu e a Va já estávamos entre beijos, depois, um passeio num motel... Fomos embora juntos. E voltamos a viver sob o mesmo teto.

Ela ainda estava desempregada, mas procurando urgentemente um emprego.
Assim como quando nos conhecíamos pouco, ela voltou a me tratar como se eu fosse um herói.
Fui levando minhas coisas para sua casa, aos poucos. O que eu tinha mesmo, eram roupas, revistas,menos de dez livros , e o que mais ocupava espaço, mais de 1000 discos. Ela chegou a falar traga tudo de uma vez, incluindo os discos.

Mas, o "herói" acabou se tornando vilão, ao perder o emprego, um mês depois. Trabalhei nesta contabilidade por 1 ano e 8 meses, foi a única firma que gostei de trabalhar. Me desentendi com meu patrão e pedi demissão. À partir daí, a Va começou a me tratar muito mal, e as brigas voltaram... Fiquei com muita raiva, porque quando eu falei que iria trazer o restante dos discos, ela falou que era bobagem, que já tinha muitos discos no apartamento.

Da nossa primeira união, vivemos 2 anos e 9 meses juntos; desta vez, foram apenas 2 meses.

Voltei para casa dos meus pais , com uma falta de graça enorme. Lembro que fui chegando, e falei com o meu irascível pai, "não deu certo, né?", e gostei, desta vez, da sua reação, ele balançou a cabeça solidariamente. Já o irmão mais velho da minha mãe, um eterno hóspede lá de casa, me disse, "o que segura mulher é pistola"(Santa Pobreza de Espírito!).

Na ocasião da nossa primeira separação, eu não tinha raiva da Va. O que eu pensava é que ela, simplesmente, era uma pessoa geniosa, nervosa. Mas, na segunda separação, fiquei com raiva. Ela foi interesseira, mesquinha, desumana. Cheguei até a escrever uma rima, baseado numa música do John Lennon, "Aleijado Por Dentro". A Va era aleijada por dentro.

Imediatamente, ela quis o divórcio, que saiu perto do final de 1991. Minha raiva dela, era tanta, que no fórum, quando ela chegou e me cumprimentou, retribuí secamente. Estávamos esperando, sentados, no corredor, ela começou a conversar comigo, mas não dei papo, daí ela puxou conversa com uma mulher, do lado.  Na hora da saída, me despedi do nosso advogado, mas não me despedi dela, que bem ao seu estilo deu um presente para o mesmo, presente de natal.

Pouco antes de nos separarmos, a Va tinha arrumado um emprego, num escritório, mas para ganhar muito pouco. Ela havia feito inscrições  em muitas firmas, incluindo um tradicional colégio de freiras, aqui, em Belo Horizonte. No seu apartamento, não havia telefone, e ela havia dado o telefone da casa dos meus pais.
O colégio de freiras a chama... Graças á sua irmã freira que a Va arrumou um bom emprego. O salário era alto. Pedi a minha mãe que telefonasse para o escritório, em que Va trabalhava, a avisando. Minha mãe disse, que logo quando se identificou, a Va não a tratou bem; melhorando bem depois, ao saber que havia arrumado um bom emprego.

Se não me falha a memória, antes disso acontecer, uma vizinha me falou ter visto a Va , no centro da cidade. "Ela estava parada num ponto de ônibus; muito bem arrumada. Olha, não a acho bonita, mas ontem ela estava bonita. Disse que estava esperando um colega". Não gostei de saber disso. Pedi para a vizinha não me dizer mais nada a seu respeito.

Então, minha ex estava bem: com um bom emprego, ganhando bem, com homem(s). E minha humilde pessoa desempregada e só.

Mas a loucura ainda não havia terminado...

4 comentários:

  1. Montanhas russas da existência de um casal. Parece uma pessoa imensamente sensível. É preciso uma certa dose de coragem para se entregar no relato de factos pessoais. Se a loucura ainda não terminou (ela nunca termina, não é?), não são os detalhes dos eventos que me marcam, são os sentimentos que se lêem entre as linhas...

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  2. Sábio comentário, Dulce.

    Muito obrigado.

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  3. pelo jeito não foi um emprego muito bom que ela arranjou.

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  4. Como eu disse, Denise, ela estava ganhando bem, com conforto, mas infeliz.

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